quinta-feira , novembro 21 2019
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Foto: Israel Simonton/Cearasc.com

Um mês de Adílson Batista no comando do Ceará

Analisamos o trabalho do técnico alvinegro após sua chegada em Porangabuçu

Adílson Batista foi anunciado no Ceará há exatos 30 dias. No dia 04 de outubro ele chegava ao clube sob a desconfiança do torcedor, os olhos tortos da imprensa, mas respaldado pela diretoria. Desde sua vinda ao Mais Querido, o treinador não teve tempo hábil para sequer uma semana cheia de treinamentos.

O calendário cheio do futebol brasileiro provoca uma maratona incessante de jogos, e a logística de viagens Brasil à fora é outro complicador no desenvolvimento do trabalho de qualquer técnico que comande um clube do nordeste.

Já são 8 jogos a frente do Vozão e em nenhuma vez o comandante alvinegro pôde repetir a mesma escalação. Oito formações diferentes em um mês de trabalho. Algumas delas por opção tática, mas em sua maioria, Adílson não tinha os atletas em condições físicas ou legais para utilizá-los.

A estreia foi com derrota para o Goiás em casa, com direito a falha da defesa e pênalti perdido. Na sequência uma derrota para o Grêmio, fora de casa, e um quase empate no último lance com Ricardinho. A primeira vitória veio num sofrido jogo contra o Avaí. Bergson, que entrou sob vaias, deu ao Ceará o triunfo após longos 10 jogos sem vencer no campeonato.

A vitória deu uma sobrevida ao time na competição, mas os dois próximos jogos eram longe da torcida, e contra dois adversários indigestos. Santos na Vila Belmiro e Bahia em Pituaçu. Contra o time de Sampaoli, o Ceará saiu na frente, jogava bem, mas cedeu a virada. Na Bahia, foi o inverso, até jogava bem, não sofria sustos, mas viu o tricolor baiano abrir o placar. A virada veio em tom de redenção e da cabeça de um dos ícones da equipe. Luiz Otávio garantia mais 3 pontos e colocava o Ceará fora da zona de rebaixamento.

Dois fora, dois em casa. OS jogos seguintes eram como mandante, com o apoio da torcida e contra adversários cariocas. Vasco e Fluminense não seriam jogos fáceis, como não foram. Contra o cruzmaltino um empate arrancado no final, mas com o Ceará com um volume de jogo maior que o time de Luxemburgo. A vitória vinha contra o Fluminense. Um 2 a 0 que começou com Bergson e liquidado por Mateus Gonçalves. Contra o Palmeiras, o último na sequência dos 30 dias, o time foi com vários desfalques. Porém, mais uma vez se postou bem. Foi a São Paulo e saiu com uma indigesta derrota. Demonstrou força diante do vice-líder da competição.

São oito jogos disputados, com oito formações diferentes. Em 30 dias foram 24 pontos disputados e 10 conquistados.  Três vitórias, um empate e quatro derrotas. Oito adversários em distintas situações e uma desconfiança absurda, de parte da torcida, no trabalho do técnico alvinegro.

A verdade é que Adílson pegou um time complicado para comandar, mas que consegue demonstrar uma reação na competição. Após o jogo contra o Palmeiras, na coletiva de imprensa, ainda no Allianz Parque, ele falou sobre o “barulho da torcida” nas redes sociais.



“Eu não vou atrás de rede social. Não esperam ver o sistema em campo. O Chico eu vi jogar contra o Athletico/PR lá em Curitiba e ele cumpriu bem seu papel tático, e era isso que eu precisava hoje, com aquilo que eu tinha em mãos. Eu estou desde os 15 anos no futebol e sei o que estou fazendo. Eu tenho fisiologista e preparador físico que me passam as coisas, tenho a conversa com o atleta, tem o desgaste do time em jogos anteriores. Tudo isso define o time que vai começar, e eu tenho convicção naquilo que eu faço. Com 30 dias, sem tempo para trabalhar, eu vejo um time organizado”, comentou o técnico.

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