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Opinião: Diretoria do Ceará vai contra a história do clube ao “apoiar” Heitor Freire

Muita gente defende que um clube de futebol não deve ter posição política ou religiosa, mas esquece o fato que o esporte bretão foi criado por um homem e popularizado pela sociedade mais pobre em busca de um divertimento para os momentos difíceis.

O maior entretenimento do mundo move milhões de reais todos os dias, seja com vendas de jogadores, camisas, jogos e inúmeras coisas ligadas ao futebol.

Na contramão desse retrocesso de neutralizar um clube de futebol, o Bahia segue fazendo bonito com sua posição diante das problematizações sociais.

Entenda as ações do Bahia nas redes sociais.


Uma mascote negra. Homenagens a Marielle Franco e Moa do Katendê, assassinados por motivações políticas. Criação do “Bolsa Ídolo”, que ampara ex-jogadores em dificuldades financeiras. Ronda Maria da Penha no estádio da Fonte Nova para proteger as mulheres. Solidariedade a Claudia Leitte após a cantora, torcedora tricolor, sofrer assédio machista do apresentador Silvio Santos. Ao inovar com seu Núcleo de Ações Afirmativas, o Esporte Clube Bahia pretende não apenas promover transformações sociais por meio do futebol, mas se consolidar como o time mais democrático e inclusivo do Brasil.


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Nas últimas décadas, o Ceará se tornou palanque político para muitas pessoas que tem a imagem ligada ao clube, mas a instituição nunca teve posicionamento algum em relação a isso.

É certo que a agremiação não deve apoiar determinada pessoa ou partido, mas nunca pode esquecer da sua mais que centenária história.

Intitulado clube do povo, o Vozão foi fundado por garotos sonhadores,
Luís Esteves Júnior e Pedro Freire, da classe média baixa da capital alencarina.

Em toda sua história, o Ceará representou as minorias, a sociedade mais humilde e representou uma resistência aos problemas da massa popular.

Em 1963,  Zezé, irmã dos craques da família Coimbra, Zico e Nando, cursava Filosofia e convidou Nando para participar do concurso para professor do Plano Nacional de Alfabetização (PNA), criado por Paulo Freire. Ambos foram aprovados. Ela como coordenadora e ele como professor. Entretanto, após poucos meses de trabalho, a ditadura se instaurou no País e colocou fim ao programa e iniciou uma perseguição silenciosa aos ex-participantes  da iniciativa. 

A ditadura militar, instaurada no Brasil em 1º de abril de 1964 perseguiu muitas pessoas: políticos, intelectuais, artistas e até mesmo jogadores de futebol. Um deles, Fernando Antunes Coimbra, o Nando, foi o primeiro a ser anistiado no futebol brasileiro.

Revelado pelo Fluminense, Nando passou por Madureira e América-RJ, antes de chegar ao Ceará em 1968. O bom futebol apresentado no Alvinegro chamou a atenção do Belenenses, de Portugal, que o contratou.

Nando, acompanhado de Zico, recebe homenagem do Ceará. (Foto: LC Moreira/Diario do Nordeste)

Pressionado pela Polícia Internacional de Defesa do Estado, da ditadura de Antônio de Oliveira Salazar, que comandava o país europeu na época, o clube português dispensou o jogador.

De novo no Brasil, Nando acabou preso pelo DOPS, o Departamento de Ordem e Política Social do regime militar. Ficou encarcerado por cinco dias, nos porões da Rua Barão de Mesquita, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Sabendo do fato, o Ceará demonstrou total apoio ao jogador, inclusive, tentando o retorno do talentoso meia, mas a tratativa não obteve êxito.

Depois desse episódio, Nando ainda tentou voltar ao futebol, no Gil Vicente, de Portugal. Mas logo desistiu da carreira, para preservar os irmãos. Inclusive o caçula Zico, que já despontava na base do Flamengo.

Diante disso, o Ceará deixa de lado a sua história ao “apoiar” o deputado Heitor Freire. Mesmo que não contenha um suporte ao político, a diretoria alvinegra demonstra desconhecer tudo o que foi construído ao longo dos anos.

O deputado é do mesmo partido do atual presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, que já demonstrou publicamente o seu afeto a um dos chefes da ditadura no Brasil, Carlos Alberto Brilhante Ustra. Inclusive, os dois, afirmam que o regime militar em nosso país não existiu, mas é só perguntar ao jogador Nando.

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Um comentário

  1. Leonardo Teixeira luz

    Só em pertencer ao Partido desse Presidente Ditador, com suas idéias malucas e sem conhecimento nenhum para governar um País imenso, em extensão, com uma população com grandes diferenças em todos os aspectos sociais e tantas adversidades. Um PRESIDENTE, que presta continência a bandeira Americana, que homenageia um assassino como esse Ustra. Ainda mais com grande possibilidade do envolvimento da família com os Milicianos. Acho que a torcida do Ceará não merece e nem precisa desse torcedor.

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