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Heróis da permanência #04 – Juninho Quixadá, a surpresa no desespero

Sem um ímpeto ofensivo para agredir o adversário, o Ceará sofria com a falta de poderio de seus atacantes em quebrar as linhas defensivas dos rivais. Com opções escassas, no elenco e no mercado, o Vovô se via refém de Felipe Azevedo, Éder Luís e outros que não vingaram em 2018.

Sob o comando de Lisca, o Vovô já mostrava uma certa melhora no campeonato, mas muito aquém do era necessário para escapar da situação incômoda. Na lanterna da competição, a única vitória havia sido contra o Sport, no Estádio Presidente Vargas, após a pausa para a Copa do Mundo.

Dessa forma, o comandante gaúcho solicitou urgência a diretoria alvinegra na busca por um meia-atacante habilidoso e que pudesse surpreender os adversários com seus dribles e criatividade.

Sem achar um nome compatível com as características e com nível da Série A, Robinson de Castro e Marcelo Segurado resolveram olhar para o mercado cearense. Na época, o Ferroviário acabara de conquistar o acesso após eliminar o Campinense quando os dirigentes alvinegros foram até a Arena Castelão para acompanhar a vitória do Tubarão da Barra sobre o São José/RS, pela semifinal da Série D.

Naquela noite, Robinson, Segurado e mais 2.699 pessoas se encantaram com o futebol demonstrado por Juninho Quixadá. Bastante participativo, o atleta marcou um gol e acabou com a defesa dos gaúchos com seus dribles curtos e raciocínio acima da média.

Pedro Julião de Azevedo Júnior, o Juninho Quixadá, tem 32 anos, joga de meia, atacante e ponta. Iniciou a carreira no Quixadá, em 2005. Passou ainda por Horizonte, Quixadá, Bragantino, até se transferir para o Ludogorets, da Búlgaria, onde fez história, atuando por sete anos e conquistando nove títulos. 

No Ceará, a vinda do atacante foi motivo de chacota simplesmente pelo fato de ter saída da quarta divisão do futebol nacional para ser titular na elite. Sem tempo para se entrosar, o quixadaense já mostrou para que veio logo na estreia. Com assistência para o gol de Leandro Carvalho diante do Fluminense, uma bola da trave e muitas jogadas de efeito, o ‘cabeça chata’ ganhou a torcida e a sua titularidade foi mantida até o fim do campeonato, quando sentiu o desgaste físico.

Juninho Quixadá marcou dois gols com a camisa do Ceará.

Como estava atuando na Europa, o meia-atacante não teve férias quando aceitou defender o Ferroviário na Série D, assim a parte física do atleta deixou a desejar em vários momentos importantes, mas a vontade e qualidade técnica superaram qualquer adversidade.

No Ceará, foram 14 jogos com dois gols marcados (Paraná e Atlético/MG) e duas assistências. Os números não são elevados, mas Juninho Quixadá colocou o setor de ataque em outro nível. A mudança de patamar foi nítida e sentida, principalmente, pelos zagueiros adversários.

No desespero, a solução foi encontrada da forma mais inesperada possível. Em meio a desconfiança, contrato curto, problemas físicos e com o clube na lanterna, Quixadá teve personalidade para desenvolver seu trabalho e mostrou que foi um dos heróis da permanência.

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