segunda-feira , dezembro 17 2018
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(Mauro Jefferson/cearasc.com)

Inteligência e loucura

O filósofo grego Aristóteles, em um dos seus escritos, retratou: “Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura”.

Mais de dois mil anos depois, o gaúcho Luiz Carlos Cirne Lima de Lourenzi, ou simplesmente Lisca, seguiu à risca e assumiu uma missão extremamente improvável de acontecer: salvar o Ceará de um rebaixamento que parecia, aos olhos da razão, inevitável.

Aos 46 anos de idade, Lisca já havia treinado o Ceará em 2015 – quando também livrou o alvinegro de outro rebaixamento, neste caso à Série C -, retornando para uma segunda passagem pelo clube e com uma tarefa ainda mais árdua pela frente: era necessário pontuação de G6 para livrar o Ceará do retorno à segunda divisão nacional. Impossível? Talvez para quem pensasse sem uma pitada de loucura.

“Na dificuldade, há uma grande oportunidade”, Lisca

Com três pontos conquistados em nove jogos iniciais (três empates e seis derrotas), não só era difícil como também impensável naquela altura do campeonato. Se em 2015 eram apenas nove jogos, com adversários historicamente e tecnicamente inferiores, em 2018 era completamente diferente: restavam 29 jogos contra os principais clubes do futebol brasileiro. E assim foi.

Nesta segunda-feira (26), com o revés do Sport diante do São Paulo, no Morumbi, o Ceará se assegurou matematicamente na Série A da próxima temporada. Até aqui, sem contar o jogo de domingo diante do Vasco – o Vovô depende apenas de si para conquistar uma vaga na Sulamericana -, foram 28 jogos sob o comando de Lisca: dez vitórias, dez empates e oito derrotas. Algo inimaginável para um time que fez apenas cinco pontos nas doze primeiras rodadas da competição.

Marcio Hahn é o braço direito de Lisca e ajudou o treinador na brilhante campanha de recuperação.

Sem grandes reforços

Embora o time tenha sofrido alterações consideráveis com relação à equipe que iniciou o campeonato, essas alterações não foram feitas com a chegada de grandes nomes.

A começar pelo principal retorno técnico em campo, Juninho Quixadá, que estava na Série D com o Ferroviário, por exemplo.

Leandro Carvalho (voltando de lesão e longo tempo encostado no Botafogo), Calyson (reserva do Brasil de Pelotas), Eduardo Brock (que vivia momento ruim no Goiás) e Edinho (que vinha relativamente bem no CSA, mas com idade avançada) foram alguns dos nomes que desembarcaram em Porangabuçu, algo que enaltece ainda mais o trabalho espectacular do gaúcho à frente do alvinegro.

Sem grandes peças, a solução foi retomar a confiança de alguns jogadores do próprio elenco e potencializar aqueles com qualidade já reconhecida. Encaixados taticamente e comprando a ideia do técnico, o Ceará não só conquistou os bons resultados como também vendeu caro cada derrota sofrida – com exceção, talvez, só do revés diante do Bahia no PV.

2019 é logo ali

Se este ano tivemos um “salvador”, em 2019 não podemos nos apegar a isso. É preciso pensar, desde cedo, com inteligência – e por que não um pouco de loucura? – a formação do elenco para buscarmos, mais uma vez, nossos objetivos na temporada que se aproxima.

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