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Se repete a cena: torcedor é tratado como um gado

Quando a Copa do Mundo chegou ao Brasil, os elitistas comemoraram o que seria o avanço do futebol brasileiro. Os palcos históricos se tornando arenas multiusos e a histórias se perdendo em meio aos concretos, assim foi a lamentável tônica das reformas dos estádios brasileiros.

Enquanto uns se tornaram bilionárias obras do Governo, outros estádios sequer possuem laudos para receber uma pequena partida de futebol. A desigualdade na sociedade brasileira também entra no contexto futebolístico.

Dos estádios utilizados na Copa do Mundo, o que deixou um legado mais positivo foi a Arena Castelão. Apesar da mudança na estrutura, a segregação entre povão e elite foi a que durou menos tempo. Até hoje, as outras torcidas sofrem com o afastamento de quem respira futebol 24 horas por dia e a adesão do “selfie boy”. Mesmo com alguma parcela da torcida sendo assim, o índice é bem menor do que em outros estados.

Com o término do Mundial, o esperado pelas “autoridades” do futebol brasileiro era que o comportamento dos torcedores dentro das arena fosse outro. Todos na sua cadeira numerada, entradas organizadas e a diminuição da violência. Tudo foi por água abaixo. A cultura das terras tupiniquins é todo mundo assistir junto, abraçado e empurrar o time rumo a vitória. Ficar sentado aplaudindo é coisa de europeu.

A organização virou piada. A entrada e quem comanda as partidas de futebol conseguiram piorar. Quase todo jogo se tem uma reclamação de torcedores que entraram com 30 minutos de jogo, que tiveram que ir para outro setor ou desistiram de entrar para acompanhar a peleja por conta da desorganização.

O menos culpado nisso tudo é o torcedor, mas é quem sempre leva a culpa. Algumas pessoas acham justificativas bisonhas para culpar quem PAGA pela partida. Seja ela, “entrou em cima da hora” ou “ficou gritando”. A primeira é um direito previsto em lei, de ir e vir. Até que os portões fechem, o organizador do evento tem que ter condições mínimas para suportar a carga demandada. A hora de entrar cabe a quem foi ao jogo decidir. A segunda é a indignação com o tratamento recebido. Todo mundo quer acompanhar a partida no seu setor de costume, perto dos seus amigos ou no local em que se sentir mais confortável. O grito é a forma de mostrar o descontentamento com aquilo que é feito com quem tenta acompanhar uma partida de futebol no Brasil.

Repito, EM TODAS AS PARTIDA DE PÚBLICO MÉDIO/GRANDE, o torcedor é tratado como um gado. Nas partidas em que a diretoria promove a economia de palito, o alvinegro sofre ainda mais. Com as cadeiras superiores norte (atrás do gol) fechadas, as vendas de ingressos antes da partida para as inferiores foram ruins. Um pouco mais de 10 mil bilhetes foram confeccionados, entretanto o Vovô tem quase 20 mil sócios-torcedores, o ingresso estava em um preço mediano e a partida em um domingo, o crescimento do interesse perto do horário da jogo era notório.

São três pilares culpados por essa palhaçada com o torcedor: a diretoria do clube, a Arena Castelão e a Polícia Militar. Os mandatários por solicitarem a abertura de menos portões, por ofertar ingressos além da conta para setores abarrotados. O estádio pela falta de organização, informação e por profissionais despreparados e a PM por agir com truculência e piorar a situação em vez de apaziguar. Nem todo mundo quer baderna.

Que após esse episódio (MAIS UM), a diretoria alvinegra repense na hora de economizar, pois em época que torcedor é tratado como cliente, a satisfação pelo serviço prestado vai muito além do que bola da rede.

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