sábado , agosto 18 2018
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Por um futebol consciente: lugar de mulher é onde ela quiser, na arquibancada e na luta contra o machismo

Por: Iara Avelino

“Mas ele só foi indiciado, ainda não foi culpado” “Ele vai é jogar bola, não é lutar por causa social” “A vida pessoal dele não pode interferir na vida profissional” “temos que dar chance, ajudar na reabilitação”.

Essas foram algumas das frases que ouvi, após a contratação de Juninho. Seria um deja vu? Aquela sensação de já ter acontecido antes? Não! Já aconteceu! O Ceará contratou mais uma vez, um jogador com histórico de acusações de agressão à mulher. Mas, e daí? O que isso interfere na vida profissional? O que importa é ele fazer gol!!!

Esse é o pensamento de uma pessoa completamente anestesiada, um pensamento meio maquiavélico, onde os fins justificam os meios: nós contratamos contanto que faça gols. E onde entra o respeito pelas torcedoras, que até de gloriosas são chamadas? Onde entra o #DeixaElaTrabalhar , que tanto é postado?

Sabemos que as escolhas de contratação são feitas por profissionais, que visam o melhor para o clube e para a torcida. Mas que parte da torcida? A parte da torcida que está anestesiada e não consegue despertar a consciência social em si mesma? A cada 7.2 segundos, uma mulher é vítima de violência física no Brasil e nós devemos aceitar, sem questionar, alguém que, contribuiu para aumentar esse número, vestir a camisa do nosso amado clube? Não!

Ao contrário do que muitos pensam, não estamos querendo acabar com a carreira de ninguém, acreditamos em reabilitação sim, mas queremos despertar, aqui, o pensamento crítico da torcida como um todo. Não apenas para esse assunto, mas para diversas lutas e causas sociais, pois o futebol sempre esteve apoiado em causas sociais e políticas, é algo indissociável.

O Corinthians, por exemplo, é um dos clubes que sempre defendeu causas sociais e hoje é um dos maiores do país. Por que não nos espelhamos no que é bom? Por que devemos aceitar o que nos oferecem sem questionar?

E ao questionar, fomos xingadas, humilhadas. Eu, torcedora, que sempre fui sócia, sempre ajudei meu time, sempre fui pra jogos, viagens, já fiz parte de uma torcida… tive que ouvir dos torcedores do meu time, que eu precisava de louça pra lavar, que eu era uma vagabunda, que eu não entendia de futebol. E os xingamentos nem doem tanto quanto imaginar que o nosso time está entregue a pessoas que pensam do mesmo jeito que esses citados, que só se importam com o próprio umbigo e não ligam pro que acontece fora das 4 linhas.

É muito triste pensar que as pessoas dão mais importância a um gol do que o que essa contratação representa. O Ceará é gigante e influencia MILHÕES de pessoas, e, por que não utilizar essa influência pra ser voz?

Fica aí a reflexão: diversos times recusaram o jogador, e nós o aceitamos? Por que?

Por ora, continuaremos lutando pelas nossas causa e por nossos ideais. Não iremos desistir e não iremos nos calar! Lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive, na luta por respeito!!!

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