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Opinião: A TOC tem meu apoio

A festa do povo não pode ser interrompida, jamais. O apoio deve ser incondicional.

Catorze minutos do segundo tempo, o volante Raul domina a bola e se prepara para iniciar uma nova jogada ofensiva do Vovô, porém, o árbitro Leandro Bizzio Marinho interrompe o jogo, aponta para a arquibancada, e indica que o jogo só retornará quando a torcida apagar os sinalizadores (piscas) que foram acessos.

Vídeo retirado do Instagram: @aldineide_sales

A paralisação durou três minutos e a manifestação de apoio foi entendida como prejudicial.

De repente, o que deveria ser uma festa tornou-se uma guerra de nervos na bancada. Parte da torcida presente no estádio se revolta contra quem acendeu os inofensivos piscas e começam os xingamentos:

“Uuuuuhhhhhhh……apaga isso aí, caralho”

“Porra, apaga essa merda, eu paguei pra ver o jogo”

“Tomar no cu, mermão, sabe que é errado e ainda acende essa bosta”

Essas foram apenas algumas das palavras que eu ouvi na arquibancada, e destas, uma me chamou mais atenção: ERRADO.

Quando eu ouvi isso vindo de alguém que estava na fileira superior a minha, me deu uma vontade de virar em direção a pessoa e começar uma discussão em defesa dos que estavam ali e, só queriam fazer a festa, INDEPENDENTE DO RESULTADO.

Mantive a calma e resolvi fazer melhor. Peguei minha ira e reverti em apoio. Levantei e comecei a cantar junto com quem queria mudar o resultado, mesmo sabendo que a partida já estava definida desde o segundo gol colorado. Entretanto, a luta ali era outra. Era uma resistência que deve ser defendida com unhas e dentes – pelo bem do futebol – , ou daquilo que sobrou dele.

Por que é “errado”? 

Em 2013 a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou projeto de lei do deputado Rogério Aguiar (PSD) que prevê a proibição do porte e uso de canetas laser e sinalizadores em qualquer evento desportivo ou show em locais fechados, O projeto foi sancionado pelo governador Cid Gomes e transformado na lei nº 15.402, de 25 de julho de 2013.

A norma vem ratificar a Lei nº 12.999 de 27 de julho de 2010 do Estatuto do Torcedor, que já proíbe o porte e a utilização desses artifícios.

Onde vamos parar?

A grande questão de toda discussão é: estão marginalizando algo que é “padrão da nossa torcida”.

O uso de piscas sempre fez parte da festa alvinegra nas bancadas.

Em 2009 enfrentamos o Bragantino pela Série B. O jogo valia muito para o alvinegro. A vitória, que praticamente assegurou o clube na elite do futebol nacional no ano seguinte, veio, sendo regada e festejada com PISCAS que, mais uma vez, enfeitaram a arquibancada do Castelão.

Em 2010 o Ceará recebeu o Corinthians no Castelão pela Série A do Campeonato Brasileiro. Era a oitava rodada daquele campeonato, os clubes disputavam a ponta da tabela. O estádio recebeu pouco mais de 45 mil pessoas e a torcida do alvinegro cearense armou uma festa linda, iluminou o gigante com PISCAS, os mesmos que foram acessos na partida diante do Internacional.

Na época a bela imagem encantou à todos e não se viu, de forma alguma, uma repulsa por parte da torcida.

O Ceará volta à campo contra o Juventude, líder da Série B, no próximo sábado(15), o jogo começará às 19h na Arena Castelão. É hora de sabermos quem estará lá para apoiar. Os que acenderam os piscas certamente estarão. E você – “caga regra” – que vaiou os caras, estará lá apoiando seu time? Espero que sim.

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Um comentário

  1. Ensinarei essa versão para meus filhos e netos. Torcedor alvinegro deve fazer a festa completa, cantando e iluminando, verdadeiros incentivos para o nosso time. Fiquei arrepiado por lembrar dos momentos em que estive no estádio e houve sinalizadores, foi demais.

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