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Oito temporadas de João Marcos: títulos, vitórias e uma idolatria incontestável

João Marcos chegou ao Ceará em 2009 e completa, nesta segunda-feira (01), oito temporadas no clube

João de Ferro ganhou homenagem da torcida Setor Alvinegro
Foto: Facebook/Divulgação

Um, dois, três, ou, até mais… No futebol brasileiro, não é difícil vê jogadores que passam por vários clubes em uma única temporada. Alguns creditam isso ao dinamismo atual, outros preferem crer em uma visível falta de identidade – cada vez mais rara – entre clube e jogadores. O fato é que, quanto mais o tempo passa, mais incomuns são os casos de longevidade dos artistas da bola em um único clube.

Na sua chegada em Porangabuçu, se perguntado fosse, João Marcos certamente não imaginaria que em 2017, oito anos depois, ainda estaria no clube: “Não, de maneira alguma. Cheguei no Ceará em 2009 somente com o objetivo de tentar levar o Ceará para a Série A, mas nunca imaginei que ficaria aqui oito anos. E estes oito anos pra mim são muito importantes, eu sou muito feliz aqui no Ceará e hoje sou torcedor do Ceará”, enfatizou, em entrevista exclusiva.

Natural de Marília-SP, o volante foi revelado pelo clube da sua cidade – assim como seu pai, que também jogou em clubes do futebol paulista -, passou ainda por Noroeste e Ponte Preta, até desembarcar em Fortaleza para atuar no alvinegro cearense.

Não poderia existir data mais simbólica para sua chegada

João Marcos chegou ao Ceará no primeiro dia do mês de maio, em 2009. A data, que marca o dia do trabalho (ou do trabalhador, como queiram) também simboliza a palavra que mais reflete o marcador: trabalho.

 

Em março de 2016, João completou 350 jogos com a camisa do Ceará.
Foto: CearaSC/Divulgação

De lá pra cá, são oito temporadas e mais de 350 jogos vestindo a camisa alvinegra: acesso à Série A (2009), tetracampeonato estadual (2011 a 2014) e a Copa do Nordeste (2015) são algumas das incontáveis conquistas coletivas do jogador pelo clube.  A raça em campo e, sobretudo, a postura fora das quatro linhas, lhe tornam admirado. Ídolo com um merecimento incontestável.

 

Fazer história

A caminhada em Porangabuçu, entretanto, não seria tão duradoura se dependesse de Atlético-MG e Atlético-PR. Os clubes tentaram contar com o futebol do jogador em outras praças esportivas, mas o próprio atleta rechaçou a possibilidade, enaltecendo o desejo de fazer história no clube: “Simplesmente porque eu sou feliz aqui, sou feliz no Ceará. Achei que não deveria ir, ali eu já tinha o objetivo de cada dia mais fazer história no Ceará. Isto foi o que me prendeu, foi a felicidade no clube e querer fazer história”, comentou. 

 

Parceria forte, hein?

De todos os grupos que foram formados no Vovô neste período, certamente, o de 2009 foi o que mais marcou o torcedor. Não só pelo resultado conquistado em campo, mas pela amizade e o clima familiar que era peculiar naquele plantel. Na época, um trio de volantes “parada dura” era formado por Michel, João Marcos e Heleno, o trio de ferro. A trinca, que só veio a ser desfeita no início da temporada 2012, quando Michel acabou se transferindo para o Vitória e Heleno acabou seguindo rumo ao Rio Verde-GO, não teve a relação de amizade e admiração abalada.

“O futebol foi muito feliz comigo. Jogar ao seu lado, conhecer você como pessoa e profissional, não tem preço. Continue sendo essa pessoa humilde, simples, sempre na sua, nunca atravessou ninguém… Muito trabalhador”, Michel, ex-companheiro de Vozão, sobre João Marcos.

 

Em algumas oportunidades, também adversários em campo

Sensação estranha

Se para o torcedor foi difícil vê João Marcos e Michel em lados opostos, para o guerreiro Michel a sensação também não foi muito agradável: “Continue sendo esse cara sensacional, que eu admiro e sempre fui fã, tive o prazer de jogar do seu lado. E jogar contra também, que foi uma sensação muito estranha, não vou mentir pra você, prefiro jogar do seu lado, a gente já se conhecia há muito tempo…”, comentou Michel, sobre as partidas em que foram adversários, no tempo em que vestia a camisa do Leão do Barradão.

 

Assim como Mota, João Marcos aprendeu a torcer Ceará

Tendo Mota como exemplo, João Marcos também se tornou torcedor do Ceará

 

Um outro jogador com quem mantém contato e um dos grandes exemplos no clube para o volante, certamente foi o atacante Mota. Quando João Marcos chegou, em 2009, Mota estava no Pohang Steelers, da Coréia do Sul. Mas, naquele mesmo ano, ele pôde presenciar a idolatria da torcida perante o atacante ao vê-lo retornar e ajudar no acesso. A partir dali, então, criou-se uma relação de amizade e admiração mútua. Ídolo e também torcedor do Ceará, o atacante virou exemplo para João, que sempre que pode, pontua: “Hoje também sou torcedor”.

 

E quando parar de jogar, permanecer em Porangabuçu seria opção?

Atualmente com 35 anos, João Marcos está em fase final de transição, após uma cirurgia de reconstrução do ligamento cruzamento anterior do joelho esquerdo, que foi realizada em 2016. Com contrato até o final de maio, João falou sobre planos após parar, mas ressaltou preparação para voltar a atuar bem: “Claro que permanecer no Ceará (após encerrar a carreira) seria uma opção. Como eu disse, sou muito feliz aqui no Ceará. Lógico que tenho sonho de continuar trabalhando aqui no clube, mas não estou pensando nisso agora. Penso somente em voltar bem, voltar num nível de competitividade bom para que essas coisas lá na frente eu venha a resolver.”

Em um futebol brasileiro tão sem identidade, com vários casos em que atletas não pensam mais em construir uma história nos clubes, optando apenas pelo valor financeiro, João Marcos é um raro exemplo de quem vai na contramão: identificado, tem o merecimento incontestável de toda idolatria que conquistou no Ceará. O status que não foi ocupado por causa dos títulos, gols – que por sinal, foram poucos – ou vitórias, mas, sobretudo, pela postura.

Oito temporadas consecutivas em um único clube é algo para se ressaltar e valorizar.

Obrigado, João Marcos!

 

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