quarta-feira , novembro 14 2018
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Felipe foi um dos destaques do Ceará em 2016

Entrevista #02: Felipe, do Sanfrecce Hiroshima-JAP

Atualmente no futebol japonês, Felipe conversou com o Portal Alvinegro sobre algumas situações

Habilidoso, veloz e de qualidade refinada: é assim que podemos definir o meia Felipe, que foi o camisa 10 do Ceará em 2016 – 40 jogos, anotando cinco gols e cinco assistências.

O armador está atualmente no Sanfrecce Hiroshima, clube que disputa a principal liga do futebol japonês. Ainda durante a passagem pelo alvinegro cearense e sobretudo após acertar sua transferência, muitas questões acabaram sendo levantadas e Felipe esclarece algumas delas.

  • Chegada ao Japão
Atualmente, o meia está no futebol japonês

PA: Como tem sido a adaptação ao país, à cultura e ao clube?

Felipe: Em relação ao clube e alimentação, a adaptação foi rápida. A dificuldade maior foi com o clima. Estava muito frio. Então, meus primeiros dois meses e meio foram complicados, mas hoje me sinto bem em relação a isso e vivendo tranquilo.

PA: No futebol moderno, há a necessidade de que todos os jogadores contribuam no momento defensivo. Você é jogador que tem como principais virtudes o controle de bola, o drible e o passe em profundidade – características que faltam ao Ceará atualmente. O desgaste de voltar pra marcar, tendo que manter uma boa intensidade, acaba fazendo com que haja alguma perda no seu futebol?

Felipe: Com o futebol moderno de hoje em dia, você tem que estar muito bem fisicamente para conseguir manter uma regularidade nos jogos e também um nível muito alto na competição. Em todo lugar do mundo, o futebol está dessa forma. O jogador que não se adaptar no futebol moderno, ele perde espaço. Eu sofri um pouco no começo e demorei a entender. Mas hoje entendo como é e procuro melhorar em todos os setores. Ofensivo e defensivo.

  • Passagem no Ceará e sobre voltar um dia

PA:  Naturalmente você sabe entende que quando o resultado não acontece no futebol, muitas especulações e situações são criadas, pelo torcedor ou até mesmo pela imprensa. Você foi um dos destaques do Ceará no primeiro turno da Série B em 2016, mas caiu de rendimento após retornar de lesão, em um período que coincidiu com a chegada do atacante Ciel. Muitas estórias e especulações acabaram surgindo, como “ciúmes” no elenco. Eis a oportunidade para esclarecer ao torcedor: o que houve de fato para explicar a queda de rendimento do time?

Falei quando estava aí e mantenho: Nossa queda de rendimento foi dentro do campo, por incompetência nossa. Fizemos um excelente primeiro turno. Acomodamos depois da parada, achando que íamos ganhar os jogos na hora que quiséssemos. Não nos preparamos para o acesso da forma que deveríamos. Relaxamos e os adversários se fortaleceram para o segundo turno. Quando acordamos, já era tarde. Aí não tivemos mais forças pra lutar pelo acesso. O Ciel veio pra ajudar, não tinha ciúmes nenhum. Ele no dia a dia tentou ajudar com sua experiência e qualidade. Infelizmente ele machucou e não pôde contribuir. Agora o time deixar de jogar por causa de ciúmes é besteira tudo isso. Mas quando os resultados não aparecem, como você mesmo citou e sabe disso, começam as especulações. Eu mesmo acompanhei algumas especulações sobre minha saída. Alguns veículos de comunicação, via rede social, citando que eu estava fazendo panelinha no grupo e tentando convencer alguns jogadores para não jogar. É só procurar saber nos clubes que passei e perguntar sobre minha conduta. Perguntem até mesmo para jogadores que trabalharam comigo, se isso é do meu perfil. Muitos falando em mercenário. Seria mercenário se tivesse saído na janela do meio do ano aonde tive propostas para sair e não sai, pois tinha dado minha palavra que renovaria meu contrato até final da Série B e ainda abrindo mão de uma parte do salário. E mesmo com 2 meses de salário atrasados, com objetivo não alcançado, eu fiquei até o final. Para ficarem cientes, eu não tive nenhuma proposta feita pelo Ceará. Simplesmente fui procurado faltando 10 dias para acabar meu contrato aonde eu falei da proposta que tive aqui no Japão. Membros da diretoria me desejaram sorte, não me apresentaram nada e fizemos acordo para acertar os salários atrasados. A crítica e cobrança é válida. Estamos sujeito a isso em nossa profissão. Mas digam coisas concretas, como meu rendimento e de toda equipe que caiu durante a competição. E se não gostaram da minha passagem pelo Ceará, tudo bem e eu respeito. Eu procurei dar o meu melhor junto com todos e o objetivo não foi alcançado. Não entramos em campo por entrar. Não entramos em campo para perder e depois ficar escutando um monte de besteiras ao nosso respeito. Entramos em campo pra vencer e conquistar os objetivos. No entanto, nem sempre acontece da forma que queremos e temos que assumir nossas responsabilidades.

PA: Óbvio que o torcedor do Ceará não irá torcer pelo seu insucesso para, assim, vê-lo novamente por aqui. Mas há, inegavelmente, uma admiração recíproca entre você e boa parte da torcida do Ceará. Este carinho pesa para que um dia você retorne ao Ceará?

Felipe: Eu sou muito grato pela oportunidade que tive de ter vestido essa camisa grandiosa do Ceará e também a oportunidade de conhecer melhor a história do clube de perto. Só guardo lembranças boas. amigos que fiz no clube, Funcionários que mantenho contato até hoje… Eu comento com a minha esposa que o Ceará seria um clube que eu voltaria sim. O carinho que recebo de muitos torcedores ainda, me deixa muito feliz. Mesmo aqui do Japão, estou torcendo pelo sucesso do Vozão. 

O Portal Alvinegro agradece a AV Assessoria e ao próprio atleta pela disponibilidade, atenção e respeito.

 

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