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Com passagens em 2002, 2008 e 2009, Vidal marcou seu nome na história do Ceará

Entrevista #01: Fábio Vidal, ídolo do Vozão

Campeão cearense e titular no acesso em 2009, Fábio Vidal ainda guarda boas lembranças do alvinegro

Fábio Vidal, definido pelo bem-humorado Gomes Farias – narrador da Rádio Verdes Mares AM 810 e referência do radialismo cearense – com um bordão irreverente nas transmissões: “E lá vai o Vidal correndo pela esquerda com os seus cabelos esvoaçantes”.

A brincadeira, obviamente, era em alusão a careca do lateral, que teve duas passagens pelo alvinegro e é lembrado até hoje dentre os melhores da posição na história centenária do clube.

Carreira

Iniciou sua carreira no interior de SP, passou por muitos clubes do futebol nacional e até pelo Marítimo, de Portugal. No Paulista de Jundiaí – também com nomenclatura de Lousano Paulista e Etti Jundiaí -, o ala conquistou a Copa SP de Futebol Junior (1997), a Série C (2011) e Copa do Brasil (2005). No Coritiba, o título paranaense, após uma década de jejum. No Ceará, campeão cearense (2002; dando o passe para o gol de Mota na final) e acesso à Série A (2009), após 16 anos seguidos na segundona.

Vidal teve passagens vitoriosas no Ceará
Foto: Kiko Silva

Confira o bate-papo bem bacana que o Portal Alvinegro teve com o ídolo do Vozão!

PA: Vidal, vamos iniciar falando do momento atual. Você encerrou a carreira em 2011, aos 36 anos. Desde então, quais suas ocupações? Planeja retornar ao futebol em outra função no futuro?

Fábio Vidal: “Hoje estou terminando a faculdade de educação física. Estou com uma unidade de escola de futebol da bandeira CRAQUENET, que é uma parceria com os ex-jogadores Deco e Rubens Júnior. Também estou com um canal no YouTube e outras mídias, onde eu faço entrevista com pessoas envolvidas com o futebol: O papo titular.

PA: A segunda pergunta era justamente para falar sobre isso… Para o torcedor que só conhece a sua qualidade em campo e ainda não teve a oportunidade de conhecer o “Papo titular”, você também tem lá suas qualidades na comunicação. Como tem sido essa empreitada de entrevistar convidados e ter esse canal – bem bacana, por sinal – no Youtube?

Fábio Vidal: Eu tenho gostado muito da experiência de mudar de lado, pois além de estar falando do assunto que mais gosto, os entrevistados me respeitam por saber que também fui atleta.

PA: Bacana… Começando a falar sobre sua história em Porangabuçu. Você chegou no Ceará em 2002, depois retornou em 2008, permanecendo até o final da temporada seguinte. Quais mudanças você pôde notar no clube após retornar na segunda passagem?

Fábio Vidal: A diferença foi muito grande! A primeira passagem peguei um clube totalmente desorganizado, confuso em todos os aspectos, na segunda passagem encontrei totalmente o oposto. Sobre a administração do Evandro Leitão encontrei um clube se estruturando e procurando fazer as coisas corretas.

PA: Agora, é hora de falar de um dos momentos mais marcantes da história recente do Ceará: o acesso.

Em 2009, o PC utilizava muitas variações táticas. Em alguns momentos você foi um ala e em outros atuava como um terceiro zagueiro pela esquerda. Foi difícil para aceitar aquele posicionamento?

Fábio Vidal: Quando se tem um treinador que é coerente e justo, você fica tranquilo de aceitar algumas situações. Pois o PC Gusmão poderia muito bem ter me tirado do time, ele era o comandante, mas não fez isso.

PA: Após a Série B que culminou no acesso, você fechou com o Itumbiara-GO (clube que também levou o meia Geraldo) e deixou o Ceará, encerrando assim seu segundo momento no clube. O que faltou para você ficar no Vozão em 2010?

Fábio Vidal: Na verdade, o Geraldo acertou e me ligou perguntando se eu havia renovado com o Ceará. Aconteceu que o PC (Gusmão) trouxe o Jorge Henrique e o Thyago (Fernandes), ambos laterais-esquerdos com mais 1 ano ou 2 de contrato e o meu havia acabado, então o Ceará optou por me liberar.

PA: Em 2010, você recebeu uma proposta do Fortaleza, quando estava no Itumbiara. E rejeitou pelo carinho que existe em relação ao Ceará. Como isso aconteceu?

Fábio Vidal:  Eu tinha trabalhado com o Zé Teodoro no Paulista e no próprio Ceará. Aí o Vladimir (de Jesus; na época preparador físico do Fortaleza) me ligou. Mas eu criei uma história muito bonita no Ceará e sabia que poderia ofuscá-la se fosse para o outro lado.

PA: Você sempre demonstra o carinho pelo Vozão e como alguém que admira o Ceará, certamente você tenta acompanhar, na medida do possível, os jogos do Vovô. Ano passado, o Ceará bateu na trave – mais uma vez – na luta pelo acesso. Lógico que é muito difícil falar sem estar vivenciando de perto, mas na visão de quem está de fora, qual o grande diferencial daquele grupo de 2009 e o que tem frustrado os nossos planos na Série B?

Fábio Vidal: Realmente, é muito difícil (falar estando de fora). Eu tenho visto pelas redes sociais que o Ceará tem formado elencos fortes e competitivos, mas que em algum momento eles perdem a mão e desanda tudo.

O grupo de 2009 era tão focado, havia tanta entrega de todos, que quando algum jogador estava saindo da linha o grupo puxava o cara e trazia ele de volta. Entre outras situações.

PA: Muitos jogadores passam pelo clube por temporada. Alguns têm a honra de, mesmo longe, serem lembrados. Você é lembrado pelo torcedor como o melhor lateral-esquerdo que passou pelo Ceará nos últimos anos e um dos melhores de toda história. Como o Fábio Vidal se sente com esse carinho do torcedor?

Fábio Vidal: Muito, muito honrado! Na entrevista que fiz com o Deco, ele fala que uma das maiores vitórias de um atleta quado passa pelo clube é deixar um legado positivo e ser sempre lembrado na história. E saber que tenho esse carinho dessa imensa torcida do Ceará é sinal que eu realmente tive uma carreira vitoriosa!

PA: Voltando a falar sobre o acesso. Após aquela conquista, a torcida simplesmente invadiu as ruas da capital e fez uma festa linda no desembarque dos atletas. Este foi um dos momentos mais marcantes da sua carreira como atleta?

Fábio Vidal: Com certeza, eu não tenho dúvida! Hoje, quando vejo algumas fotos ainda me emociono, foi realmente uma loucura o que os torcedores fizeram. Só quem viveu aquilo sabe do que essa torcida é capaz!

Ele guarda com carinho a camisa do acesso
Foto: Arquivo pessoal

 

O atleta colecionou camisas durante toda carreira – vendeu quase todas, guardando, com carinho, a do Ceará – e se colocou à disposição para qualquer arrecadação em prol do clube, se preciso fosse: “Desde já, o dia que tiver um evento grande de leilão seja para ajudar na construção do ginásio ou em outra situação que estiverem arredando dinheiro para ajudar o Vozão, podem contar com a minha camisa.” 

 

Faltou pouco para retornar este ano

Vidal nos confidenciou que quase retornava ao Ceará em 2017: “Esse ano eu quase voltei para o Ceará, para ser treinador do Sub-17. O coordenador da base, Anderson Silva (joguei com ele no Paulista) me ligou e estávamos acertando alguns detalhes. No dia que acertamos e que ele levaria o meu nome para a diretoria, ele foi mandado embora!” 

O Portal Alvinegro agradece pela receptividade, humildade e pelo excelente bate-papo.

“Parabéns pelo Portal e por essa entrevista inteligente, bastante sucesso pra vocês”, encerrou.

 

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